O medley de Will Wood e The Tapeworms, 'Suburbia Overture/ Greetings from Mary Bell Township!/ (Vampire) Culture/ Love Me, Normally', é uma exploração complexa e satírica da vida suburbana e das normas culturais que a moldam. A música começa com uma alegre melodia doo-wop, justaposta à letra que pinta a imagem de um bairro suburbano aparentemente perfeito, completo com cercas brancas e saudações de feriado. No entanto, essa fachada desmorona rapidamente à medida que as letras se aprofundam nos aspectos mais sombrios e artificiais da vida suburbana, como 'arame farpado e trincheiras' e 'outdoors camuflados'. A canção critica a superficialidade e a conformidade frequentemente encontradas nessas comunidades, onde as aparências são mantidas à custa da conexão humana genuína.
O medley continua a dissecar as construções psicológicas e sociais que sustentam a cultura suburbana. As referências a 'Myers-Briggs' e 'OKULTRA' sugerem uma sociedade obcecada com categorização e controle, enquanto a frase 'Casa é onde está o coração, você não é um sem-teto, mas não tem coração' ressalta o vazio emocional que pode acompanhar conforto material. A música também aborda a ideia de uma 'crise de meia-idade', uma brincadeira com a crise de meia-idade, indicando um estado perpétuo de pavor e insatisfação existencial. O tema recorrente de “as luzes estão acesas, mas não há ninguém em casa” serve de metáfora para a existência vazia que muitas pessoas levam, presas num ciclo de consumismo e de expectativas sociais.
Na última parte do medley, a letra torna-se ainda mais surreal e sombriamente bem-humorada, com imagens vívidas de 'pães adolescentes gritando' e 'uma noite no drive-in com um AR-15'. Estas linhas destacam o absurdo e a violência que podem estar escondidos sob a superfície da vida suburbana. O repetido refrão “É apenas cultura” serve como um lembrete cínico de que as normas e valores que prezamos são muitas vezes arbitrários e podem ser mais prejudiciais do que úteis. A música, em última análise, questiona a própria natureza da cultura e da identidade, exortando os ouvintes a se libertarem das restrições sociais e a abraçarem seu verdadeiro eu, mesmo que isso signifique ser 'azul e frio'.